DIAGNÓSTICO AMBIENTAL PRÉVIO NA RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA

O conjunto de ações que visa o restabelecimento dos processos ecológicos de um ecossistema florestal que foi perturbado, degradado, transformado ou inteiramente degradado – seja por conta das ações do homem ou agentes naturais – é chamado de Restauração Ecológica. É um processo dotado de diversas metodologias de condução, onde o sucesso da restauração depende diretamente da metodologia escolhida e da correta condução do trabalho, baseado em dados obtidos previamente.

As diversas metodologias de condução da restauração ecológica possuem características diferentes, implicando em diferentes recursos financeiros, humanos e insumos para sua realização, onde a metodologia a ser aplicada é definida, principalmente, por uma característica: a resiliência. Neste contexto se destaca a importância da obtenção de informações prévias sobre a área objeto de restauração, antes de ser traçado o plano de restauração ecológica propriamente dito, onde informações como o histórico de uso do solo, o histórico de distúrbios ocorridos na área e no seu entorno, a presença ou não de vegetação no local e no seu entorno e seus tipos de solo, locais de alagamento sazonal na área objeto, dentre outros, são cruciais e devem ser observados e relatados, a fim de se produzir um bom Diagnóstico Ambiental Prévio. O principal objetivo do Diagnóstico Ambiental Prévio é a identificação do potencial de resiliência da área, que é a capacidade de um ecossistema, após passar por um distúrbio, retornar às suas condições anteriores ao ocorrido. Desta maneira, a ligação entre a resiliência de uma área e o distúrbio ocorrido é evidente, uma vez que a resiliência do local varia de acordo com a intensidade, duração e frequência do distúrbio.

De forma sucinta, o produto do diagnóstico ambiental prévio nos mostrará se a área objeto possui ou não um potencial de resiliência, norteando o planejamento das ações de restauração que virão adiante. Alguns distúrbios, como a ação do fogo, por exemplo, causam impactos profundos em um ecossistema florestal, reduzindo drasticamente seu potencial de regeneração – dependendo, claro, de sua intensidade, duração e frequência; já outros, como a supressão de vegetação, mantém muitos dos processos ecológicos ainda presentes na área, como banco de sementes, solo nutrido, aerado e com a presença de microfauna, dentre outros.

Portanto, é necessário entender que a melhor metodologia de restauração ecológica depende de um adequado diagnóstico ambiental prévio, tornando cada caso específico em relação às suas condições ambientais, onde a metodologia a ser empregada é um dos fatores cruciais para o sucesso das ações restauradoras, impactando diretamente nos custos e no tempo hábil de duração do projeto.

Escrito por: Abel S. Bravin Junior, Engenheiro Ambiental.